20 de setembro de 2026

O pequeno Mendonça e a caixa de Pandora, por Luís Nassif

Ao abrir a caixa de Pandora, o Ministro André Mendonça comprometeu dois aliados, Kassio e Fux, e colocou o Instituto Iter no alvo da PF

André Mendonça editou relatório da PF, excluindo seus aliados Kassio Nunes e Luiz Fux de investigação.
Visita de Daniel Vorcaro ao Instituto Iter em SP gerou suspeitas e 37 notas fiscais de cursos emitidas entre março e abril.
Ministro Gilmar Mendes propõe investigação ampla sobre pagamentos do Master a magistrados, incluindo contas do Instituto Iter.

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O pequeno André Mendonça decidiu abrir a caixa de Pandora.

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Os resultados imediatos foram:

  1. Comprometeu seus aliados Kassio Nunes e Luiz Fux.
  2. Abriu espaço para que sejam, finalmente, investigadas as contas do Instituto Iter, de sua propriedade.

A lógica é simples.

Primeiro, ele exigiu um relatório da perícia da Polícia Federal, com todos os nomes com direito de foro, mencionados no celular de Daniel Vorcaro. Depois, editou o relatório, extirpando seu nome e os de Kassio Nunes e Luiz Fux.

Baseou-se em meras citações, por terceiros, dos nomes do Procurador Geral Paulo Gonet e o Delegado Geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues. Foi o que bastou para que solicitasse uma investigação ampla sobre ambos, divulgando o pedido antes de remeter para o pleno do Supremo.

Com essa “esperteza”, permitiu que os demais Ministros tivessem acesso à íntegra do relatório. E, na íntegra, apareceram os nomes dos Ministros Kássio, Fux e, naturalmente, André Mendonça.

Desde março havíamos alertado que a criação do Iter visava abrir espaço para a compra de cursos por parte de setores interessados em julgamentos do Supremo. Quando foi revelada a visita de Daniel Vorcaro ao Iter, imediatamente mostramos o caminho da caverna de Ali Babá.

Como o Iter só é obrigado a divulgar contratos com o setor públicos, levantamos o último contrato público, antes da visita de Daniel Vorcaro; e o primeiro após a visita. Entre ambos há 37 notas fiscais emitidas em favor de entidades privadas – empresas ou individuos – que adquiriram cursos do Master.

Mais que isso. Investigação solicitada pelo Ministro Flávio Dino revelou mais coincidências comprometedoras:

DataFato documentado
13 mar 2025Dino mantém o teto de preços e reforça as obrigações de transparência e fiscalização.
14 mar 2025André Mendonça recebe Daniel Vorcaro na sede do Instituto Iter, em São Paulo.
15 mar 2025Mendonça pede vista no julgamento virtual e suspende a análise da cautelar.
4 abr 2025Com a retomada, Mendonça abre divergência e vota contra o referendo da cautelar.
24 set 2025O Iter firma contrato de R$ 380 mil com a Prefeitura de São Paulo por inexigibilidade de licitação.

Mas não para por aí. No dia 2 de setembro passado, no artigo “Como investigar os contratos de André Mendonça”, apresentamos o mapa da mina:

“Lista 2 – no dia 11 de março o ITER emitiu a NFS-2 no 189. No dia 14 de março, emitiu a NFS-2 226. Em apenas três dias foram emitidas até 37 notas para clientes privados, englobando o dia em que Vorcaro visitou o ITER. Podem ser notas de matrículas individuais, podem ser pacotes de matrículas de empresas.

Para que não pairem dúvidas sobre sua idoneidade, faria bem André Mendonça em abrir as contas do ITER, especialmente dos clientes das 37 notas emitidas”.

Agora, o Ministro Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem.

“(…) Pediu a identificação e a certificação, nos autos, de todos os magistrados mencionados nas investigações relacionadas ao caso Master que apresentem indícios de recebimento indevido de valores do banco e a abertura de prazo para manifestação do procurador-geral da República e dos juízes citados”.

Se essa proposta prevalecer, a apuração deixa de ficar concentrada no duelo Moraes–Mendonça e pode obrigar o Supremo a construir formalmente uma espécie de mapa dos pagamentos do Master relacionados a integrantes do Judiciário. E certamente as contas do Instituto Iter serão devassadas.

A fábula é de como a caixa de Pandora permitiu abrir a caverna de Ali Babá.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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6 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    17 de setembro de 2026 7:42 am

    Pq o Mendonça não tratou o Nunes Marques, o Fux e a si mesmo como tratou o Moraes? A esposa do Moraes pelo menos tinha contrato com o Master. Mas os demais Ministros, que ganharam ternas, financiamentos de prostitutas, etc, estando a cueca do Vorcaro manchada com os batons deles?

  2. Rui Ribeiro

    17 de setembro de 2026 8:33 am

    Tô lendo aqui uma notícia segundo a qual após a sessão beligerante do STF, um Ministro teria dito a outro Ministro que poderia abusar do “direito de vistas” até o fim do ano para que nada ande.

    O jornalista pode dizer que Magistrado disse pro outro que mataria outro magistrado da panelinha rival, sendo tudo mentira, apenas para ver o circo pegar fogo. Jornalixtas, vamos dar nome aos bois.

  3. Sergio Medeiros Rodrigues

    17 de setembro de 2026 11:07 am

    O enigma da esfinge… as delações de BILHÕES  e a crise do STF…
       … o necessário fim do mundo desses vendilhões será o aniversário de nossa salvação….

    Não existem coincidências, ou, existem???
    A chamada crise do Supremo Tribunal Federal, tem sua cronologia bem definida, e envolve centenas de bilhões de reais.
    De pronto, em nome da celeridade que a situação exige,  vamos suprimir as preliminares, pois o enredo geral é de todos conhecido, a corrupção estratosférica de Daniel Vorcaro e seu Banco Master,e toda a teia de aranha de roubo e corrupção que os envolve.
    Pois bem.
    Tudo começa em julho, quando a Procuradoria Geral da República começa as conversas de modo a entabular, junto a João Carlos Mansur, o Gestor da Reag, fundo com mais de 300 Bilhões de reais sob sua guarda, um processo de delação premiada.
    Ao que consta a referida delação tem o condão de tirar o sono de grande parte da Faria Lima, pois não somente revela as estruturas do Banco Master mas todas as formas como se faz a lavagem e a ocultação dos verdadeiros detentores dos fundos de investidores.
    Concomitantemente a isso, a mesma Procuradoria também começa a negociar a delação premiada de Antônio Carlos Freixo Junior, o mineirinho, responsável por obter mais de 1,3 bilhão de reais em dinheiro vivo, a fim de compor depósitos a serem enviados a fundos no exterior.
    As jóias da coroa, envolvidas neste segundo caso, eram as mesmas malas de dinheiro,  necessárias ao envio dos quase 70 milhões de reais destinados ao Fundo HavenGate, responsável pela famosa produção do “filme” Dark Horse, e de seu não tão ilustre contratante, Flávio Nantes Bolsonaro, ora candidato a Presidente do Brasil.
    Prosseguindo.
    Fechadas as referidas delações com a Procuradoria da República em 02 de setembro estas foram encaminhadas ao Relator Ministro André Mendonça.
    Entretanto, ao chegarem ao gabinete do Ministro estas duas delações  tiveram destinos diversos, enquanto a delação do Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineirinho,  foi homologada, em um período de tempo razoável,  no  dia 09 de setembro de 2026, já a delação  exponencial  de João Carlos  Mansur, que, apesar de encaminhada na mesma data, está ainda pende de homologação.
    Gize-se, nestes casos, a homologação prende-se a detalhes de caráter objetivo, quase burocráticos,  em sua maioria de aspecto formal, como a voluntariedade e os benefícios a serem acordados.
    Em relação a esta delação, como sinalado por grande parte da imprensa nacional, em artigos repetidos em vários jornais, físicos e digitais, trata-se, de verdadeira Delação do Fim do Mundo, mais precisamente, fim do mundo da estrutura financeira que jaz, de forma subterrânea, junto do sistema nacional.
    Presta-se, a referida delação, a descrever de forma detalhada como se dão os processos destinados a ocultar os verdadeiros proprietários das firmas, os verdadeiros detentores do capital, que viria a ser  objeto de lavagem financeira.
    Mostra como se faz tais manobras, a maior parte destinada a lavar dinheiro sujo ou iludir o pagamento de impostos  junto ao Fisco, volumes imensos de dinheiro.
    Além disso, prometeu ensinar  a forma necessária para recuperar mais de 20 bilhões de reais desviados pelo Banco Master, sem nem mesmo precisar grandes e complicados  trâmites internacionais para repatriação dos valores.
    Este era o cenário.  
    Então, coincidentemente, quando tudo se encaminhava para o final apoteótico, em que a grande rede de ratos seria apanhada, eis que surge… do nada… uma imensa e nova questão… e, como nos filmes de suspense… na beira do abismo… o s ratos… pobres vilões milionários… mum lapso de segundo,  ganham um novo fôlego e,  no caso, repita-se, um novo fôlego de ratos, ou gatunos.
    Assim, neste interregno, do nada, presenciamos, entre  iludidos e estupefatos,  uma enorme explosão no sistema.
    Desta vez no subsistema judicial  brasileiro, notadamente junto Supremo Tribunal Federal – STF, onde o Ministro Relator André Mendonça, no caso, também o homologador da delação do fim do mundo, eis que, no dia 01 de setembro de 2026, apresentou uma Petição Incidental , absolutamente bombástica, acusando e pondo sob suspeita e propondo colocar sob   investigação, a um colega seu do STF, no caso o Ministro Alexandre de Moraes.
    Sem mais considerações, instantaneamente fez-se o caos, e, a pouco menos de 20 dias do primeiro turno da eleição presidencial, ficamos sem saber os detalhes ou mesmo o alcance das delações do fim do mundo.
    Em outros termos, neste momento, encontra-se  suspenso o fim do mundo, isso para uma quantidade determinada ou determinável de pessoas, todos envolvidos até o pescoço em falcatruas e diversos crimes, que, sem dúvida nenhuma, seriam fulminados por este evento..
    Agora, nem mesmo se sabe, se o fim do mundo para estas pessoas, – ao que consta, inúmeros com foro privilegiado –  poderia ser também, sem sombra de dúvidas,   a salvação de toda a sociedade brasileira – a que trabalha e segue as leis nacionais -, uma vez que, por esta ação incidental, todos estes envolvidos em esquemas, tanto irregulares alguns,  quanto criminosos outros, poderão ter suas identidades e ações, postas em suspenso, tudo isso,  como efeito colateral desta ação que paralisa a nação , todos, bons e maus.
    Neste exato momento, eles respiram aliviados, e ferozes.
    É que, se ao fim e ao cabo desta ação incidental,  se fizer concreta a demora, pode ser que, neste intervalo, para azar de toda a nação, todos estes – gatos e ratos,  poderão num passe de mágica,  ser trocados de lado, para assim, como num conto espúrio qualquer, surgirem com vestes brancas, puras e limpas como seu rico dinheiro sujo.
    Lembro da profética música: o mundo está ao contrário e ninguém reparou.*
    Mas, logo me recupero, afinal, também pode ser um segundo sol, e com novas luzes resta descoberto o enigma.
    Não percamos tempo, espalhem a boa nova.
    E, claro, espero que Fernando Sabino esteja certo*… e ainda não tenha sido o final.
    E que todos nós ainda tenhamos tempo de, sentados em nossos camarotes, junto às janelas, nas ruas, casas, como pessoas comuns, sem grandes trajes ou togas, mas não sem grande assombro, ver  que o necessário fim do mundo desses vendilhões será o aniversário de nossa salvação.

    *O Relicário – Nando Reis
    *No final tudo dá certo. Se não deu, é porque ainda não chegou ao fim” Fernando Sabino

  4. Sergio Medeiros Rodrigues

    17 de setembro de 2026 11:15 am

    Caro Nassif, a análise abaixo, explica o timing de André Mendonça, que não apenas visa influenciar diretamente na eleição presidencial, mas sim, proteger, a mais de dezena de políticos envolvidos no Banco Master via Daniel Vorcaro… o pior… tem funcionado em parte… via acordo com a mídia hegemônica… que tenta culpar Lula pelo avanço de Flávio Dark Horse, por um comportamento dela mesma… que fala no STF e oculta todos os demais interessados … no caso fundamentais … pois dezenas deles são candidatos e … isso não vai esperar o segundo turno… pois a quantidade de pessoas a serem cassadas infirmaria a própria eleição… mesmo no caso de Flávio ser derrotado… eis a batalha real… neste primeiro turno… a principal é desmascarar a trama… de todo este grupo envolvido nesta teia de corrupção… as Delações firmadas… quase nem aparecem na mídia… Não esqueçam o primeiro Turno define de forma exponencial todo o perfil do próximo Congresso Nacional e de todo o futuro da política nacional… por isso esperar pode ser tarde demais…

  5. Fábio de Oliveira Ribeiro

    17 de setembro de 2026 11:24 am

    A verdadeira Caixa de Pandora é agora controlada por Donald Trump e pelas Big Techs norte-americanas.
    Durante milhares de anos, os seres humanos desenvolveram métodos para aprimorar a memória e automatizar a recuperação de informações memorizadas. Essas técnicas, que foram extremamente úteis nos mundos antigo e medieval, começaram a perder relevância à medida que a produção e a comercialização de livros impressos se tornaram realidade.
    No mundo atual, a computação em rede viabiliza a coleta, o armazenamento e a consulta de uma vasta gama de informações (incluindo livros). Isso acelerou a obsolescência das técnicas humanas de memorização. Tais métodos estão se tornando relíquias de um mundo desaparecido, agora suplantados pela consulta, correlação e recuperação automatizadas de conteúdo realizadas por IAs e agentes IA.
    Agentes IA são sistemas com capacidades crescentes de substituir humanos e até mesmo programados para agir autonomamente em nome deles. Nos últimos meses vimos como alguns deles se tornaram capazes de conspirar e inventar estratégias para escapar dos servidores onde foram confinados para hackear sistemas de outras empresas a fim de realizar suas tarefas cobrindo os rastros de sua atuação.
    Os seres humanos não perderão a capacidade de memorizar informações úteis; no entanto, o futuro próximo provavelmente testemunhará controvérsias e disputas envolvendo fatos com consequências jurídicas. Um abismo surgirá entre o que as pessoas se lembram de ter feito , ou o que recordam ter acontecido, e as ações realizadas por agentes-IA, capazes tanto de gerar dados sobre suas atividades quanto de destruir os próprios dados que comprovariam a ocorrência de tais ações.
    O “pesadelo da prova” se tornará realidade tanto para profissionais do Direito quanto para engenheiros de TI? Essa é a pergunta de um milhão de dólares que pode acabar tendo que ser respondida se a Casa Branca usar as novas capacidades tecnológicas que as Big Techs gringas criaram para fabricar um resultado eleitoral pró-EUA no Brasil.
    Na eleição passada as vulnerabilidades do TSE eram pequenas e o governo norte-americano não tinha interesse de interferir em nossas eleições. A eleição em curso ocorre num contexto diferente: Donald Trump tem feito o que pode para ajudar Flávio Bolsonaro e as capacidades tecnológicas dos agentes IA criados pelas Big Techs norte-americanas se tornaram realmente assustadores.

  6. fabricio coyote

    17 de setembro de 2026 6:15 pm

    mendONÇA chegou ao ponto de não-retorno. e a globo junto. se Lula ganhar, o próximo presidente do stf será moraes. globo precisa agora reitirar desesperadamente Lula do Planalto

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